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Insight (áudio, poesia)

Matilha

Dia desses era tarde da noite e nós saímos pelas ruas e corremos e brincamos como corriam e brincavam os filhotes dos cães nas ruas. Saímos pelas ruas em busca de liberdade e de subversão à ordem apodrecida. Esses dias nós saímos como sempre fizemos: cada um era líder da matilha; ninguém era líder de ninguém. E brincamos e rimos. Ah, como nós nos rimos! E fomos também ao rio e nos despimos por completo. Brincamos de rinha de galo: Eduardo montava Gustavo, eu montava Renato. Encara, empurra, soca, imobiliza, arranha, faz cócegas… Falávamos “putarias”. Cada frase dita em que sugeríamos coisas entre o amigo e outro cara vinha acompanhada de um sonoro “OOOUAAAAAAA!” ** com cada vogal muito bem pronunciada, obrigado. Éramos irmãos: saíamos juntos, dormíamos juntos, descobrimos quase tudo juntos. Éramos coroinhas na igreja, às vezes eu usava a batina de Eduardo, às vezes era Eduardo que usava a minha… E aos poucos nossa matilha foi se dispersando. Eduardo foi morar fora, Gustavo e ...

Vênus em Áries (conto)

Tenho saído com o mesmo cara já faz um tempo… É namoro? Não é?... Ele é gentil, um tipo interessante. Tá ali descrito num poema que escrevi aqui, num conto acolá. A gente acaba e ele vai embora, a gente goza e logo dá a hora… Por um tempo pensei que ele era de personalidades múltiplas, mas não… Existe um padrão e percebi que sempre volto pra esse mesmo cara: cabelos cacheados, pelos, barba, brinco, tatuagem, ouve música alternativa, politicamente de esquerda, maconheiro… Não que seja ruim voltar pra esse cara. Pelo contrário: eu gosto. Mas é que eu não tinha planejado uma união estável agora… O destino sempre nos coloca cruzando as mesmas esquinas, mas o alinhamento dos planetas sempre nos põe em tempos distintos. Como um relógio quebrado que acerta a hora duas vezes ao dia, nossos ponteiros algum dia se alinharão no tempo? Vênus em Áries… A desculpa é sempre de ordem metafísica, mas a física concreta dos fatos é que a gente só se vê na surdina, no escuro, casualmente, ...

Estudando as estrelas III

que noite maravilhosa de incontáveis estrelas no céu! vão até o limite do horizonte de incontáveis estrelas no asfalto. olho para cima e sei que são exatamente as mesmas de há quinze anos, quando já estavam mortas - insistem os cientistas. mas não sei porque me surpreendo, entra nuvem, sai nuvem, me encanto. e o pior é que são as mesmas! exatamente as mesmas! pras estrelas do asfalto abriram ruas - aqui, ali... mas as do céu... essas não mudaram! mudou a minha miopia, que já não dá conta... mudou meu sentimento, que com o vento se expande. mudaram os meus medos, que já não são mais os mesmos; mudou-se pra cá a saudade: eternidade. Arnaldo Ventura (Estudando as estrelas II)

sexo kamikaze

fodo para desfazer o enfado e, não raramente, "falo". - de fedor quase cheiro, na verdade, um cheiro fálico. mil demônios dentro de mim. à direita da minha consciência o seu filho se senta, carregando consigo o fardo. na praça, o duque de farda, a distinção militar que me falta... e é sem disciplina que o faço, ao contrário, sou bagaço; de moral falida, de honra ferida; faço com sete, com cinco, com quatro, no mato, na rua, no quarto, me sujo, me deito, me mato - aos poucos - mas à rotina sempre volto e trabalho feito um louco. Arnaldo Ventura Fica mais! Leia aqui 'Estudando as estrelas II'.

Antologia poética CNNP. Compre a sua!

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Estamos com estoque da antologia Concurso Nacional de Novos Poetas (CNNP), da Editora Vivara, onde fui selecionado com menção honrosa na 16ª colocação dentre mais de 3.000 poemas inscritos! O poema selecionado (de minha autoria) se chama "Diário de bordo". Além disso, você pode conhecer a comunidade de novos poetas. Afinal, ninguém nasce pra poesia já no patamar dos grandes! Um exemplar sai a R$50,00. Quer adquirir o teu e dar aquele apoio à literatura? Então deixa a tua mensagem e pega comigo! Mais uma vez, gratidão!

Antologia poética "Poesia Agora" à venda!

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Estão à venda alguns exemplares da antologia poética Poesia Agora, da Editora Trevo, na qual fui selecionado com a poesia "O dilema do viciado". O livro está lindo! Até a capa, por sorte, eu diria, fala diretamente com as imagens descritas no texto, já que podemos observar um céu com tons crepusculares. Em "O dilema do viciado", começo narrando sobre o céu do Rio Grande do Sul, onde morei por alguns anos. Lá era possível ter a claridade do dia até as 21h nos verões, com belos tons de azul e púrpura. Claro que não pude desperdiçar esse "insight" inicial (ideia ou compreensão repentina), dando vasão a outras ideias que se desenrolaram verso após verso! A comissão avaliadora da Editora Trevo gostou e incluiu meu poema nessa antologia, que, modéstia às favas, está muito boa! Este livro fica pelo preço de R$40,00. Se você mora em Sete Lagoas, fica mais fácil agendarmos em algum lugar no centro, mas se mora em outra localidade, podemos combi...