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As filhas das mães centenárias

Um dia diferente de todos os outros, uma percepção tão nova que nunca dantes; um novo caminho, novos horários; tudo novo, de menos as roupas... Desde ontem tem um sentimento que me ronda - ele é um sombra. Fica na espreita por trás de uma moita, ele segue meu rastro de medos, mas também de esperança. Inevitavelmente seguimos o fluxo dos carros no boulevard onde caminhamos e filhas de mães centenárias conversam sobre doenças, Alzheimer e afins. . . . Arnaldo Ventura Gostou do poema? Inscreva-se no blog e acompanhe todos os lançamentos no link do topo da página!

Ser homem

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Era pra ser um soneto invertido

Morto por motivo torpe com dezessete golpes de faca. Morto! O que tem dentro do meu coração? Quando você me vê na rua, o que vê dentro do meu coração? Todo dia é uma faca que me mata: é 'só' um sufixo, é 'só' uma piada, Um crucifixo que se empunha, censuras, lâminas (literais ou não). Lâminas fatais, lâminas reais. Sangue de verdade, caixão de verdade. (Amor de verdade) . . . Arnaldo Ventura Confira "Estudando as Estrelas II" clicando aqui .

Nu

Será que inconscientemente escolhi o atraso pra perder o ônibus e ganhar o ônibus que me permite sentar outra vez ao lado teu? A postura disfarça a forma os óculos de sol disfarçam a feiura do rosto a roupa social disfarça o socialista os modos disfarçam o degenerado a poesia disfarça a miséria da alma sem graça e cálida como um homem qualquer. Sigo nesse disfarce de paradoxo impasse... Mas seu perfume não se disfarça (a mim), Sua beleza não se disfarça, Sua perna exposta - de pele, pelo e pelve proeminentes - não se disfarça, bem como sua indiferença… Que olhou de soslaio só e avaliou rápido como um raio registrando padrões, incompatíveis com os seus; descartou-me, já que o disfarce não se sustentou. O disfarce não se sustenta. Arnaldo Ventura Gostou deste poema? Leia também Sexo Kamikaze .

Estudando as estrelas II

Se quando encaro uma estrela, ela já é morta... quando ela me encara de volta eu ainda nem nasci? Arnaldo Ventura Adquira 'Rosário', meu novo  e-book ,  clicando aqui !

Insight (áudio, poesia)

Matilha

Dia desses era tarde da noite e nós saímos pelas ruas e corremos e brincamos como corriam e brincavam os filhotes dos cães nas ruas. Saímos pelas ruas em busca de liberdade e de subversão à ordem apodrecida. Esses dias nós saímos como sempre fizemos: cada um era líder da matilha; ninguém era líder de ninguém. E brincamos e rimos. Ah, como nós nos rimos! E fomos também ao rio e nos despimos por completo. Brincamos de rinha de galo: Eduardo montava Gustavo, eu montava Renato. Encara, empurra, soca, imobiliza, arranha, faz cócegas… Falávamos “putarias”. Cada frase dita em que sugeríamos coisas entre o amigo e outro cara vinha acompanhada de um sonoro “OOOUAAAAAAA!” ** com cada vogal muito bem pronunciada, obrigado. Éramos irmãos: saíamos juntos, dormíamos juntos, descobrimos quase tudo juntos. Éramos coroinhas na igreja, às vezes eu usava a batina de Eduardo, às vezes era Eduardo que usava a minha… E aos poucos nossa matilha foi se dispersando. Eduardo foi morar fora, Gustavo e ...